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PF afirma que falta de dados em vídeos de policiais do RJ pode atrasar análise da megaoperação no Alemão em pelo menos 3 anos

1 de 2 Corpos são colocados em praça na Penha no dia seguinte à operação mais letal do RJ. — Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo Em um ofício enviado na noite desta quarta-feira (15) ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) afirma que ainda faltam dados nos registros das câmeras corporais que o governo do RJ enviou da Megaoperação Contenção, de outubro do ano passado. No documento, a PF avisa que a análise do material, do jeito que está, levaria pelo menos 3 anos. Há 1 mês, o g1 mostrou que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, tinha determinado um prazo de 5 dias para que o governo do RJ enviasse os vídeos em mídia física. Na ocasião, a PF já tinha reclamado que os arquivos estavam disponíveis apenas para visualização online, sem possibilidade de download, o que inviabilizava a análise técnica e a preservação das evidências. Megaoperação no Alemão e na Penha contra o Comando Vermelho tem mais de 60 mortos O que foi enviado, segundo a PF Agora, segundo a PF, as autoridades enviaram uma série de links para baixar as gravações, uma a uma. São 9.025 clipes, provenientes de 504 câmeras — a Polícia Federal estima haver ao menos 4.500 horas de vídeos. O g1 apurou que o problema não é o volume de trechos, mas o fato de os arquivos terem vindo sem identificação alguma — como o nome do policial que o gravou, onde ele estava e em que circunstância. Esse trabalho de correspondência, segundo a PF, levaria 3 anos. Seria necessário baixar esses quase 10 mil segmentos e assisti-los, a fim de extrair as informações — ou metadados — faltantes. “A plataforma acessível por meio dos links disponibilizados permite a reprodução e o descarregamento inpidual de cada arquivo para estação de trabalho pericial. Contudo, o fato de cada arquivo necessitar ser descarregado de forma inpidual torna impraticável a extração do conjunto dos arquivos para fins de preservação, análise de viabilidade técnica e realização de perícia”, explicou William Marcel Murad, diretor-geral substituto. “A maior parte dos vídeos possui 30 minutos. Estima-se, portanto, que o tempo total das gravações alcance aproximadamente 4.500 horas”, destacou. “Considerando-se a premissa de que a integralidade do conteúdo (...) deva ser objeto de análise, calcula-se, em sede de análise preliminar e levando-se em conta a disponibilidade de 10 peritos criminais federais, um prazo de atendimento da ordem de 3 anos”, prosseguiu. “Ainda que tal esforço extraordinário venha a ser empregado, na ausência de delimitação dos trechos de interesse, a efetividade dos exames tende a ser reduzida”, emendou. Murad encerra o ofício pedindo que Moraes determine que o governo do RJ reenvie esse material em mídia física e com todos os metadados discriminados. 2 de 2 Mulher chora a perda do marido — Foto: Betinho Casas Novas/TV Globo A Megaoperação Contenção foi resultado de uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, que levou à expedição de 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão — 70 no Rio de Janeiro e 30 no Pará, contra integrantes do Comando Vermelho. A ação, considerada a mais letal da história do país, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e terminou com 122 mortos, entre eles 5 policiais. A ação das forças de segurança também resultou na prisão de 113 pessoas. Foram apreendidas 118 armas de fogo, entre elas 91 fuzis, 26 pistolas e 1 revólver. O volume de armamento apreendido é considerado um dos maiores já registrados em uma única ação policial no estado, segundo as autoridades. A operação provocou ainda uma série de retaliações e bloqueios armados em importantes vias da cidade, como a Linha Amarela e a Grajaú–Jacarepaguá. O transporte público foi afetado em persas regiões. 'Muro do Bope': entenda estratégia da polícia em megaoperação mais letal do Rio de Janeiro
16/04/2026 (00:00)

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